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domingo, 18 de maio de 2008

Mensagem

O projecto IGNARA prossegue. Agora terminadas as primeiras apresentações de FAZER O TRABALHO DE CASA, o percurso continua. Foi extremamente compensadora esta primeira fase do projecto, e principalmente, muito produtivos os debates realizados após as sessões. Não podemos, por isso, deixar de agradecer a todos os que estiveram presentes nas apresentações de IGNARA#FAZER O TRABALHO DE CASA, pois ao estarem presentes, participaram de modo activo neste projecto, ouvindo e debatendo sobre o tema.
E a todos os outros que connosco colaboraram, mas que não puderam estar presentes, o nosso igual agradecimento. Esperamos poder continuar a contar com todos vós.

Os nossos sinceros cumprimentos.

quarta-feira, 12 de março de 2008

#1 Poema

Confesso, tive coragem e poupei
Quem me coube um dia por inimigo.
Quando perdi a coragem, matei
Quem só partilhava o medo comigo.

Amor, quando aos teus os meus olhos escondo
E o cacimbo de África que os turvou,
Ao apelo da mata eterna respondo
Ou talvez ao que de mim lá ficou.

Meu amor, a lucidez é que enlouquece,
Tal como a luz cega e o som ensurdece.
Ouves a voz dos caídos que diz

Que inocentes só os que a morte redime?
Vêm reclamar vingança pelo meu crime
Despudorado de querer ser feliz.

Manuel Bastos
(Colaborador do FORUM#IGNARA)
Autor do blogue: http://cacimbo.blogspot.com

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

IDEIAS SOLTAS #2

Parece que, ultimamente, o tema tem merecido nova atenção. Passou, semanalmente, na RTP, desde Outubro de 2007, um documentário da autoria do jornalista Joaquim Furtado, designado «Guerra», que vem refrescando a memória do País. Diana Andringa e Flora Gomes, também jornalistas, realizaram e exibiram, no DOC LISBOA, um documentário especificamente sobre a guerra na Guiné. António Lobo Antunes, o famoso escritor e ex-combatente, publicou, em Outubro de 2005, cartas de guerra.

Além destas parangonas, a Guerra Colonial continua a ser uma espécie de borrão incómodo na história contemporânea portuguesa.

Um tema menor que sobrevive nos escassos estudos que existem no País sobre o tema e na memória privada dos ex-combatentes e seus familiares.

Que esperar de um país que não conhece a sua história?

Que ideia fazemos, hoje, dos africanos vindos das ex-colónias?

Filipe ARAÚJO, Susana GASPAR e Paulo Campos dos REIS, actores e directores do projecto IGNARA

IDEIAS SOLTAS #1

Surpreendi-me, desde início, com a quantidade de material (sobre a Guerra Colonial) já existente e com a imensidão de temas por desbravar; infelizmente, eu serei uma prova viva de como a segunda geração, a dos filhos dos ex-combatentes, sabem muito pouco sobre o que aconteceu verdadeiramente – muito por culpa da pouca transmissão de informação desses acontecimentos no espaço escolar. (...) Talvez seja mesmo necessária e espontânea esta urgência inconsciente de exorcização enquanto exorcizar fará algum sentido. Creio que qualquer um de nós se apercebe das mudanças sociais ocorridas; não creio, no entanto, que seja necessário batalhar no quanto o mundo está mudado. É de uma ironia imensa o facto de três décadas serem mais do que suficientes para o esquecimento da história recente. A memória passa a existir apenas para quem a viveu, com a ameaça de cada um ficar isolado na história. E as memórias de quem viveu a nossa guerra colonial estão ainda tão, tão vivas que não creio que seja justo deixá-las cair no isolamento.

Susana GASPAR, actriz no projecto IGNARA