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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Artigo: Histórias da guerra em África contadas na primeira pessoa nas Gaeiras


«Cerca de 40 homens das Gaeiras combateram em Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre os anos 1961 e 1975. Alguns deles partilharam as suas histórias da Guerra Colonial no passado dia 7 de Abril, nas Gaeiras, no âmbito da exposição “Ultramar – Dever ou Obrigação?”, organizada pelo Jovens Voluntários de Gaeiras (JVG) .

Durante mais de duas horas ouviram-se relatos de quem esteve no confronto, sofreu sequelas e perdeu amigos,  mas conseguiu sobreviver a uma guerra que no total originou cerca de 8300 mortos e 140 mil traumatizados. José Pereira regressou da Guiné para a sua terra natal, Gaeiras, a 15 de Agosto de 1965. Era dia de feira nas Caldas e o jovem militar quis ir conviver e reencontrar velhos amigos. No entanto, quando se aproximou da parte dos divertimentos e ouviu tiros, atirou-se imediatamente para o chão obedecendo ao seu instinto de resposta a uma emboscada. Traumas de guerra, como o deste ex-combatente, foram partilhados por outros homens, que viveram a sua juventude na guerra em África e trouxeram marcas para toda a vida.»

segunda-feira, 21 de março de 2011

A ler: "Os filhos dos ex-combatentes também têm memórias da guerra"

Hoje, no Jornal Público, no suplemento P2:

"Os filhos dos ex-combatentes também têm memórias da guerra"

Muitas famílias portuguesas têm baús de guerra. Lá dentro há albúns de fotografias, cartas, estatuetas africanas e medalhas. Foi através destes objectos que os filhos dos ex-combatentes ouviram falar sobre a guerra colonial, pelo menos a parte das histórias que os pais lhes quiseram contar. Alguns, como Susana, quando cresceram ganharam curiosidade e perguntaram: "Pai, mataste alguém?" Outros, como Alexandra, tiveram medo da resposta e calaram-se.
Por Catarina Gomes (texto) e Miguel Manso (fotografias)

Uma reportagem que vale a pena ler. Um testemunho meu e de mais três "filhos da guerra", bem como da investigadora Margarida Calafate Ribeiro e da própria jornalista. Pequena menção ao Projecto IGNARA, que está longe de estar terminado...

O artigo completo estará neste blogue brevemente.

quinta-feira, 17 de março de 2011

opinião sobre o discurso do Cavaco Silva


«Cavaco insulta toda uma geração e ataca a democracia pós 25 de Abril, que se fez em grande medida para terminar a guerra colonial e promover a descolonização. Atrevo-me a dizê-lo em nome de um tio que se suicidou na sequência da experiência de guerra, de outro que reprimiu as memórias sabe-se lá a que custo, e até mesmo da antecipação negativa que sentia em adolescente, com o medo do que aí vinha e os zunzuns sobre a necessidade de fuga do meu irmão mais velho para o exterior. Os rapazes e os homens dos anos sessenta e setenta portugueses viviam prisioneiros ou do horror ou da antecipação do mesmo.»

Opinião de Miguel Vale de Almeida
Retirado do blogue: http://blog.miguelvaledealmeida.net/?p=1595

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"Flash-back" de Manuel Bastos

«De repente, do nada: saudades da guerra.
Porco e malcheiroso, de mãos sebentas, de G3 nas unhas, fuçando a mata virgem, cheio de fome e de sede, com raiva não sei de quê.
Mais vinte e tal tipos como eu, em fila por entre o capim, mal falando uns com os outros, sabendo que cada passo dado nos aproximava da morte.
Porque tenho saudades disto às vezes? Porque passo dias e dias a escrever, tentando pôr nas palavras que me visitam a recusa de qualquer visão romântica da guerra e de repente a memória me deita tudo a perder?
Os helicópteros a largarem soldados dando a impressão que se sacudiam e que eles caíam de ambos os lados para o chão. E depois, vultos a correrem para a orla da clareira, encurvados, numa coreografia rude de hienas em matilha. Os helicópteros a ganharem altura, um após outro, como insetos pré-históricos, e alguns minutos de seguida, o silêncio feito das batidas dos nossos corações.(...)»


Para continuar a ler aqui:
http://cacimbo.blogspot.com/2011/02/flash-back.html

Mais um extraordinário texto do autor Manuel Bastos.