segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ciclo de Debates sobre a Guerra Colonial (Porto)



No dia em que passam exactamente 50 anos (4 de Fevereiro de 1961) dos primeiros ataques a uma prisão e a uma esquadra da polícia, em Luanda, por forças do MPLA – desencadeando-se assim, a "Guerra Colonial" – a AJA norte inicia um ciclo de debates e análises sobre factos e uma época que marcaram a sociedade portuguesa.


Associação José Afonso - núcleo do norte
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Artigo: A guerra colonial causou mais danos físicos do que psicológicos

Ao fim de 37 anos, depois de um milhão de soldados recrutados, 10 mil mortos e 30 mil feridos, Portugal descobre agora que os ferimentos físicos e não stress crónico são o que mais aflige os ex-combatentes na Guiné-Bissau, Angola e Moçambique.

É o fim de um tabu”, diz a Lurdes Ferreira o coronel na reserva Andrade da Silva, coordenador de um estudo inédito a que a Pública teve acesso e cujos resultados o deixaram espantado. “Nada haveria de surpreendente se o grosso das queixas configurasse stress pós-traumático tardio. Mas, em vez disso, mais de metade referem-se a ferimentos simples e múltiplos.” O coordenador acrescenta que “o dado mais inesperado é andarmos ainda a tratar de queixas do foro biológico” ao fim destes anos.

Uma equipa envolvendo o Ministério da Defesa, o Instituto Superior de Tecnologias Avançadas (Istec), a Academia Militar, a Escola do Serviço de Saúde Militar, o Centro de Psicologia Aplicada do Exército e o Arquivo Geral do Exército, com elementos das áreas da psicologia, sociologia, direito, engenharia e economia, dedicou-se durante dois anos a este tema e encontrou uma realidade diferente da imaginada. Desta vez, o grupo encontrou, num conjunto de 3020 queixas de ex-combatentes do exército, todas com decisão superior, casos de doença de stress pós-traumático crónico que não passam os nove por cento do total, enquanto mais de metade, 52 por cento, reportaram ferimentos simples não tratados (36 por cento) ou múltiplos (16 por cento).

O artigo completo na revista Pública à venda com o jornal PÚBLICO de domingo, dia 30 de Janeiro, ou na edição de assinantes online. 

http://www.publico.pt/Sociedade/a-guerra-colonial-causou-mais-danos-fisicos-do-que-psicologicos_1477438

Aguardamos mais dados concretos sobre o estudo.  Terão sido os inquiridos suficientes para chegarem a tal conclusão? Mais um tema a ser debatido...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Debate "A Arte da Guerra", pelo teatromosca 25 de Setembro

Complementando a programação da companhia, o Departamento de Pedagogia e Animação (DPA) do teatromosca organiza um ciclo de debates na Casa da Cultura de Mira Sintra, no decorrer do ano de 2010. Depois do sucesso duas primeiras sessões, com o tema "Arte e Educação" em Março e "Teatro e Comunidade" em Maio, o DPA organiza agora o debate "A Arte da Guerra", no dia 25 de Setembro, a partir das 16h.

Este ciclo de debates procura estabelecer-se como fórum aberto a toda a comunidade que promova a troca e discussão de ideias sobre o papel das artes na sociedade do século XXI, fazendo uma reflexão sobre o comportamento criativo face às condições impostas pela nova paisagem expressiva contemporânea.

Este novo debate, com o tema "A Arte da Guerra", toma emprestado o título da obra de Sun Tzu. É também deste estratega a seguinte frase: "Evitar guerras é muito mais gratificante do que vencer mil batalhas". Pretendemos assim examinar as intersecções da Arte com a Guerra, da antiguidade até aos nossos tempos, da propaganda à expressão artística pessoal, tentando, de alguma forma, compreender o que é que a Guerra tem que tanto nos confunde e fascina. O que é que a Arte nos revela sobre a Guerra? De que forma o olhar do artista é diferente ou similar ao olhar do historiador militar, do sociólogo e filósofo? De que modo o artista testemunha, observa e documenta a Guerra - todas as guerras ou uma em particular? E quais as suas responsabilidades, em tempo de guerra ou paz, enquanto criador, cidadão, soldado, observador, participante, crítico, activista, pacifista? As ligações que podem ser estabelecidas entre horror e heroísmo na construção do mito de guerra; a "sedução" da violência na sociedade; objectividade/ subjectividade; propaganda e censura; a Guerra enquanto entretenimento - de Homero até à Guerra do Iraque; o papel dos artistas na educação - pensar criticamente sobre a Guerra. Estes serão algumas das questões a abordar no debate que terá lugar na Casa da Cultura de Mira Sintra, no dia 25 de Setembro, a partir das 16h, com ENTRADA LIVRE. Participarão no debate o jornalista e escritor Fernando Sousa, o encenador Mário Trigo, a jornalista e cineasta Diana Andringa e a artista plástica Ana Vidigal.

No final do debate, às 20h, será servido um pequeno bufê, gratuito, e às 21h será apresentada uma leitura encenada de textos de Manuel Bastos e Fernando Sousa, dedicados à Guerra Colonial.
Apareçam e divulguem!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Descolonização Portuguesa » Nova Tese

«Descolonização portuguesa teve conivência dos EUA»

Investigador defende que norte-americanos pretendiam travar a expansão soviética

O investigador José Filipe Pinto defendeu esta quarta-feira que a descolonização portuguesa, tardia, teve a conivência dos Estados Unidos, que pretendiam travar a expansão soviética, argumentando que Portugal nunca esteve «orgulhosamente só», escreve a Lusa.
Esta é a tese defendida pelo professor da Universidade Lusófona no seu livro «O Ultramar Secreto e Confidencial» apresentado, esta quarta-feira, em Lisboa.
«Portugal nunca esteve orgulhosamente só, esteve sempre bem acompanhado. Se não fosse isso, o nosso império não teria ido até 1974. Poderia ter ido até mais cedo, ao início dos anos 1960, era quando deveria ter acabado, e deveríamos ter procedido àquilo que não fizemos: uma descolonização», defendeu o investigador.
Para o especialista, a descolonização portuguesa, que aconteceu em plena Guerra Fria, teve a conivência dos Estados Unidos, que pretendiam assim travar a expansão soviética.
«Havia duas superpotências e era necessário saber para que lado é que a África austral iria cair. Os Estados Unidos conseguiram sempre levar a água ao seu moinho. Tentaram convencer Salazar a alterar a política na fase final, a partir dos anos 60. Até aí, houve uma conivência da comunidade internacional com a manutenção», sustentou.
Uma posição que o presidente do conselho viu com maus olhos: «Vê nisso alguma infantilidade, alguma impreparação, acusa os Estados Unidos de não saber trabalhar com África», referiu.
A saída das colónias suscita muitas dúvidas a José Filipe Pinto, para quem «o império ruiu sem haver uma real descolonização».
«Para haver uma descolonização, é preciso cinco fases. Portugal em muitos casos limitou-se à transição do poder. Ainda hoje tenho muitas dúvidas que a independência, da forma como foi conseguida, tenha sido a melhor solução», disse.
Na apresentação do livro, o antigo ministro do Ultramar Adriano Moreira confirma esta tese: ao longo da sua história, «Portugal precisou sempre do apoio externo».
O antigo governante salientou a importância de investigações como esta, baseada em documentos que se encontram na Torre do Tombo, em particular telegramas trocados entre Oliveira Salazar, os ministros das colónias da ditadura e os governadores do império.
Perante uma plateia onde se encontravam vários estudantes, Adriano Moreira sublinhou que «na circunstância que estamos a viver, que é péssima, a nova geração tem todo o direito de conhecer os factos».
«Se não tiverem o conhecimento exacto dos factos, eles vão desenhar com risco de grande erro, o futuro que devem construir. Não nos devemos afligir com os erros do passado, precisamos é de sabê-los», disse.
Para Adriano Moreira, «nenhum povo pode receber a sua história a benefício de inventário, tem de herdar a história com o positivo e o negativo». 

fonte: tvi24

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dor Fantasma


Neste espectáculo, criado por Filipe Araújo, Susana Gaspar e Mário Trigo, a partir de textos do ex-combatente Manuel Bastos, são apresentadas personagens que relatam episódios da «sua guerra», avaliando-a até às suas ínfimas, imponderáveis consequências.

Os «fait-divers» do teatro de guerra - entenda-se, o conjunto de acontecimentos que, em meio do caos, instituem essa espécie de perverso «padrão de normalidade»- são permanentemente desmontados pelo olhar lúcido, clínico, distanciado das personagens, apostadas em transmutar o horror da guerra em material de reflexão política (apartidária) ou em exercício extremo de auto-conhecimento.

AutoriaManuel Bastos DirecçãoMário Trigo Criação e interpretaçãoFilipe Araújo e Susana Gaspar


15 e 16 de Janeiro de 2010, 21h30, Casa de Teatro de Sintra (Mapa)

(R.Veiga da Cunha,20, 2710-627 Sintra)


Mais informações: http://teatromosca.com.sapo.pt/teatromosca_DOR.html

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Boas Festas!


quarta-feira, 25 de março de 2009

Projecto Poesia da Guerra Colonial

Conferência Internacional

Poesia da Guerra Colonial: uma ontologia do ‘eu’ estilhaçado

30 de Março de 2009, 9:30, Sala de Seminários do CES (piso 2)

Anunciamos que a Associação Cultural teatromosca estará presente nesta conferência, em parceria com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. O projecto do teatromosca, IGNARA#GUERRA COLONIAL (2007-2010), encerrará a conferência com a apresentação da primeira fase do projecto, agora renovada, Fazer o trabalho de casa, seguido de debate com todos os presentes, onde partilharemos as nossas conclusões das sessões preparatórias já apresentadas (em Lisboa e Sintra).

Mais informações sobre o projecto Poesia da Guerra Colonial e programa da conferência:

http://www.ces.uc.pt/projectos/poesiadaguerracolonial/pages/intro.php

«A experiência de Portugal na guerra colonial (1961-74) teve o seu registo estético na narrativa, dando origem a mais de uma centena de romances sobre o tema e na poesia com uma vasta e ainda não delimitada produção. Esta poesia, de autores directa e indirectamente envolvidos na guerra, e elaborada, ou no momento da vivência do evento bélico, ou em seguida, enquanto espaço de memória e de elaboração pós-traumática, carece de atenção, reflexão e divulgação.

Este projecto visa realizar uma primeira e exaustiva recolha crítica do material poético acessível, não só enquanto poesia de guerra no panorama literário ocidental e português em particular, mas também enquanto valioso testemunho subjectivo de um episódio marcante do século XX português, que modificou a própria identidade histórica de Portugal. O projecto propõe-se reunir um banco de dados amplo do arquivo poético da memória da guerra colonial e combiná-lo com uma organização de uma antologia de poemas de guerra. Trata-se de um projecto aberto à colaboração. »

CES – Centro de Estudos Sociais
Universidade de Coimbra
Colégio S. Jerónimo
Apartado 3087
3001-401 Coimbra

Tel.: +351 239855570

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Novo sítio on-line sobre a Guerra Colonial

Abaixo transcrevemos o artigo publicado pelo Diário de Notícias no dia 5/2/09, que descreve este novo espaço online.

«Estudo da guerra colonial ganha novo impulso com divulgação na Internet

O site sobre a guerra colonial (1961-1974) que foi apresentado ontem, na Amadora, deveria permitir, a prazo, fazer o confronto entre os arquivos da RTP e os de televisões estrangeiras sobre esse dossier, defendeu ontem o ministro Mariano Gago.

"Os arquivos da RTP [disponíveis no site www.guerracolonial.org, criado pela Associação 25 de Abril em parceria com aquela televisão] têm uma mais-valia" indiscutível, referiu Mariano Gago, "mas foram feitos numa época de censura prévia" que limita uma visão global portuguesa sobre aquele conflito, que os arquivos de televisões como a inglesa, francesa ou holandesa permitiriam complementar, explicou o governante.

Mariano Gago - lembrando ter sido "o responsável pela ruptura do movimento estudantil" em relação à guerra colonial no início dos anos 1970, quando assumiu publicamente a oposição dos estudantes àquele conflito - defendeu ainda, em termos de evolução do site, a aproximação à "historiografia emergente" nos países africanos lusófonos.

O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, destacou a importância do site para "a sensibilização e divulgação" da memória colectiva portuguesa naquele período, dado ser "um instrumento que põe ao serviço da comunidade científica" um conjunto de informação "absolutamente indispensável para a dinamização da historiografia" daquele período.

Severiano Teixeira, historiador de profissão, defendeu igualmente a cooperação do site com outros centros de investigação, arquivos universitários e televisões para "incorporar a visão" não portuguesa daquela guerra e, assim, "criar um espaço onde todos [leia-se também os africanos lusófonos] se possam rever e reconciliar com a História e a memória".

O presidente da Associação 25 de Abril e figura central da Revolução dos Cravos, coronel Vasco Lourenço, explicou o projecto com a vontade de "perpetuar a memória colectiva" sobre "um dos acontecimentos mais importantes da História contemporânea", permitindo ainda mostrar que as Forças Armadas portuguesas, no quadro da "História Universal, foram as que melhor" lidaram com aquele "tipo de guerra [contra-subversão]".

Além dos dois apresentadores do site, major-general Pezarat Correia e comandante Pedro Lauret (responsável pela sua criação), intervieram ainda o presidente da RTP e o chefe do Estado-Maior do Exército.»

Fonte: http://dn.sapo.pt/2009/02/05/nacional/arquivos_estrangeiros_devem_conhecid.html

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

IGNARA#GUERRA COLONIAL - Apresentações






#O LADO AFRICANO

A segunda fase, que agora se apresenta, procura, fazendo uso de material similar ao «Fazer o Trabalho de Casa», traçar um retrato mais «fiel» dos Movimentos Independentistas (e seus intervenientes) que durante 13 anos se sublevaram contra o Estado Novo Português. A primeira apresentação de «IGNARA#O LADO AFRICANO» (em co-produção com a Associação Cultural Alagamares), está agendada para o dia 11 de Dezembro (Quinta-feira) no Bar 2 ao Quadrado, em Sintra, às 22 horas.


#CONCLUSÃO

Do cruzamento do resultado destas duas apresentações (e discussão – em sede de Fórum de IGNARA#GUERRA COLONIAL- daí decorrente) resultará uma conclusão acerca das razões por que somos ignaros da guerra colonial. Talvez que, mercê dessa socrática assunção, possa surgir o princípio do seu oposto: sermos cidadãos mais esclarecidos de um País reconciliado com o seu passado. Relatos de pós-memória (na perspectiva de filhos de ex-combatentes), reencontro de ex-combatentes de ambos os lados, ou, o fenómeno de edição de textos memoriais sobre a guerra colonial, serão, entre outros, alguns dos temas em apreço. A primeira apresentação de «IGNARA#CONCLUSÃO» (em co-produção com a Associação Cultural Alagamares), está agendada para o dia 18 de Dezembro (Quinta-feira) no Bar 2 ao Quadrado, em Sintra, às 22 horas.


11 DE DEZEMBRO |#O LADO AFRICANO | 22h


18 DE DEZEMBRO| #CONCLUSÃO | 22h


[Entrada livre]



Ficha Artística e Técnica

Direcção, interpretação e dramaturgia|Filipe Araújo, Susana Gaspar, Paulo Campos dos Reis Grafismo|Alex Gozblau Produção executiva|Pedro Alves Produção|teatromosca Co-produção|Associação Cultural Alagamares Parcerias|Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Núcleo de Sintra da Delegação de Lisboa da Associação dos Deficientes das Forças Armadas Apoios|Câmara Municipal de Sintra, 5àSEC (Rio de Mouro), Sporting Clube de Lourel, Junta de Freguesia de Santa Maria e S. Miguel, Utopia Teatro, Casa de Teatro de Sintra e Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

«FAZER O TRABALHO DE CASA»

IGNARA#GUERRA COLONIAL

Desde Abril de 2007, o teatromosca vem produzindo um projecto teatral que compreende a pesquisa, análise e apresentação de conteúdos subordinados a um dos mais importantes temas da História Contemporânea Portuguesa: A Guerra Colonial. «IGNARA#GUERRA COLONIAL», assim se designa o projecto, está dividido em três fases de trabalho, correspondendo cada uma delas, a derivações sobre o tema geral aduzido.

A primeira fase, concluída em Maio de 2008, designada «FAZER O TRABALHO DE CASA», apresentou o seguinte material:

a) Historiográfico – citações de compêndios de história sobre a génese do conflito que opôs o Estado Novo às forças independentistas Africanas.
b) Ensaístico – validação da tese «a Guerra Colonial é ainda hoje um tema ignorado/esquecido/silenciado» (por via da citação e/ou recolha testemunhal de diversos ex-combatentes/autores.).
c) Fotográfico – Pesquisa, recolha e selecção de fotografias de guerra emblemáticas.
d) Literário – Pesquisa, recolha e selecção de textos literários que a crítica especializada vem considerando como os mais representativos sobre o tema.
e) Internet – Pesquisa, recolha, selecção e edição de material on-line, trabalho que culminou com a criação de um pequeno centro de documentação virtual designado: FÓRUM IGNARA#GUERRA COLONIAL, cujo endereço é http://projectoignara.blogspot.com/.

«FAZER O TRABALHO DE CASA» apresentou-se entre Abril e Maio de 2008 no Núcleo de Sintra da Delegação de Lisboa da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e na Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero (em co-produção com a Associação Cultural Alagamares), e todas as sessões foram seguidas de debate com o público presente.